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Toda tecnologia que permite seu uso durante a movimentação do usuário é uma tecnologia móvel e pode ser considerada uma inovação, pois está sendo capaz de atingir o cotidiano das pessoas, sendo parte do seu dia-a-dia. É capaz de modificar rotinas e formas de tomar decisões.

Este tipo de tecnologia permite o acesso a dados e informações em qualquer momento e em qualquer lugar. A internet agora é móvel. Ou melhor, as pessoas é que se movem, levando a internet consigo, em um estado de conexão permanente. Este fato tornou-se um poderoso atrativo para consumidores e a mobilidade traz uma nova plataforma de negócios que vem inovando ao redor do mundo no tocante à comunicação entre marcas e consumidores. Propõe uma nova maneira de interação com o mercado, despertando o interesse de novos empreendedores de pequenos negócios sociais. As tecnologias móveis permitem empreender fazendo o bem, ou seja, agrupar impacto social e sustentabilidade financeira em novos modelos de negócios sociais.

aplicativo cecular

As grandes estrelas da tecnologia móvel atual são os smartphones e tablets que com telas grandes e de fácil manuseio permitem navegação na internet com muito mais velocidade e em aparelhos menores, mas do mesmo jeito que navegam pelo computador. Por isso, pode-se dizer que estes aparelhos móveis, através da agilidade diferenciada que possuem, estão mudando o comportamento do consumidor e a maneira como ele se relaciona com o mundo.

Isso tem sido possível graças às recentes tecnologias móveis de comunicação e novos dispositivos que não fazem uso de cabos, o chamado wi-fi ou wireless, assim como as redes 3G e 4G. A tecnologia 3G utilizada pela terceira geração de telefonia móvel (a primeira foi a dos celulares analógicos e a segunda dos digitais), garante uma velocidade de tráfego de dados em média 15 vezes maior que as gerações anteriores, permitindo assim com que os aparelhos móveis se aproximem muito mais do computador, tornando a internet dos smarthphones e tablets muito rápida e por um custo acessível aos clientes e consumidores. Já a internet 4G, que vem sendo implementada a todo vapor, é uma nova tecnologia que irá integrar a quarta geração de dispositivos para acesso à internet móvel, prometendo aumentar em 180 vezes a velocidade atual de conexão, tornando os aparelhos 3G ultrapassados.

Smartphone é, em tradução literal, "um telefone inteligente". E não há melhor maneira de definir este tipo de produto. Ele é a evolução do celular. A capacidade de realizar e receber chamadas é “apenas um detalhe”, pois o aparelho permite uma infinidade de possibilidades e são híbridos entre celulares e computadores. Possuem características de computadores como hardware, software e programas executados através de um sistema operacional. Apesar de não contarem com o hardware potente de um PC, também não são tão simples quanto um telefone comum e englobam algumas das principais tecnologias de comunicação tais como: internet, GPS (Global Positioning System, em português Sistema de Posicionamento Global que possibilitam serviços de localização), e-mail, vídeochamadas, transmissão de sinal de televisão, download de músicas e filmes, SMS (Short Message Service, em português Serviço de Mensagens Curtas, o popular “torpedo”), câmeras de alta qualidade que também podem ser usadas para ler e escanear códigos de barras ou os atuais códigos de formato quadrado QR (Quick Response, em português Resposta Rápida) e aplicativos para muitos fins – a centralidade deste pequeno negócio social.

As principais marcas de smartphones no mercado são: Apple, Samsung, Motorola, LG, Nokia e BlackBerry. Cada uma tem suas particularidades. Entre os sistemas operacionais, os líderes são o iOS, do iPhone; o Android, da Google; e o Windows Phone, da Microsoft; mas o Symbian, da Nokia, também é uma opção bastante popular.

O tablet é um tipo de computador portátil, de tamanho pequeno, fina espessura e com tela sensível ao toque (touchscreen). É um dispositivo prático com uso semelhante a um computador portátil convencional, no entanto, é mais destinado para fins de entretenimento do que para uso profissional. Devido ao formato e à praticidade do uso da tela com os dedos, é muito usado para navegar na internet, para a leitura de livros, jornais e revistas, para visualização de fotos e vídeos, reprodução de músicas, jogos etc.

Algumas das vantagens de um tablet comparado com computadores portáteis são a maior duração da bateria; a não necessidade de um teclado ou mouse; a rapidez e simplicidade na visualização de imagens e outros conteúdos. Algumas das desvantagens são o elevado preço e algum desconforto para escrever no teclado integrado. O dispositivo iPad produzido pela empresa Apple e lançado em 2010 tornou-se um dos mais conhecidos tablets do mercado. Outros concorrentes são o Samsung Galaxy Tab, Motorola Xoom, HP TouchPad, Sony Tablet, etc.

Como apontamos acima, a centralidade deste pequeno negócio social é um aplicativo para aparelhos móveis. Portanto, após a contextualização das atuais tecnologias móveis apresentamos em seguida os conceitos básicos de um aplicativo, mais conhecido como App.

App é um apelido dado para o termo “aplicativo” (que vem do inglês application). Existem também outras formas de chamar o App tais como: aplicativo para celular, aplicativo móvel, aplicativo mobile. Neste manual, chamaremos também de App, que por ter se tornado tão popular em 2010, foi assinalada como a "Palavra do Ano" pela American Dialect Society, nos Estados Unidos.

Os Apps são aqueles quadradinhos que estão espalhados no celular de cada vez mais pessoas, e que com um único toque nos conectam com um universo inteiro de possibilidades. Os Apps são programinhas que rodam dentro do celular, pois da mesma forma que os computadores têm seus aplicativos, o celular tem os Apps. Os programinhas de celular são geralmente bem simples, e servem muito bem para coisas específicas. O App mais comum nos celulares é a calculadora, função muito utilizada pelos usuários. Nos últimos anos vemos uma verdadeira explosão no número e variedade de Apps que agilmente atendem as necessidades mais diversas de consumidores ao fornecerem funcionalidades, informações, serviços, interação e rápido acesso aos usuários para inúmeras atividades e setores, tais como: mercado de ações, meteorologia, esportes, saúde e bem estar, produtividade, notícias e jornalismo, entretenimento, localização e mapas, turismo, compra de ingressos, astrologia, confirmações de presenças, conexões nas redes sociais, transferências bancárias, transporte, educação, arte e cultura, jogos, musica, livros, comércio varejista, culinária etc. Desta maneira, os Apps existem dos mais variados tipos e para diferentes objetivos com o propósito de facilitar o dia-a-dia ao seu usuário, fornecendo-lhe as mais diversas funcionalidades e possibilidades, através deste universo digital portátil. Para muitos é como ter o mundo ao alcance de um simples toque.

Os Apps, além daqueles que já vêm pré-instalados em celulares pelos seus fabricantes, encontram-se disponíveis em plataformas de distribuição que na verdade são lojas virtuais que permitem aos usuários baixarem Apps aos seus smarthphones e tablets. As lojas virtuais mais populares no mercado são a Google Play (com Apps compatíveis para aparelhos móveis do sistema Android) e a App Store (com Apps compatíveis para aparelhos móveis do sistema iOS, da Apple). A grande maioria dos Apps nos catálogos das lojas virtuais podem ser baixados gratuitamente ou por um preço acessível.

Este pequeno negócio social tem como objetivo divulgar, disponibilizar e atualizar informações para consumidores de classes C, D e E sobre onde encontrar preços mais econômicos e baratos para artigos e produtos de necessidades básicas, tais como: alimentos, material de limpeza, higiene pessoal e remédios, ofertados no comércio varejista mais próximo do consumidor e pertencentes a uma dada localidade. Este negócio social se operacionaliza por meio de um aplicativo gratuitamente baixado em aparelhos móveis, possibilitando aos consumidores das classes C, D e E identificar em suas comunidades e municípios onde encontrar o melhor preço. Com acesso a este aplicativo o consumidor da base da pirâmide usa seus recursos financeiros de forma eficiente, gerando economicidade.

O “Preço Baixo, o aplicativo para o seu dinheiro render mais” é um guia atualizado de melhores preços para uma localidade específica, como por exemplo: as comunidades que compõem o Complexo da Maré ou Alemão no Rio de Janeiro, os bairros periféricos e pobres da região sul da cidade de São Paulo, os territórios excluídos de Belo Horizonte ou São Luis, no Maranhão etc. Este modelo de pequeno negócio social aqui perfilado tem o potencial de ser replicado e escalado em várias cidades e estados brasileiros que concentram consumidores da base da pirâmide. Porém, a implementação está associada com a definição de um território geográfico específico, o que chamamos de segmentação territorial. Isso é uma premissa chave para o bom funcionamento e a viabilidade prática do negócio, permitindo assim a pesquisa do empreendedor na busca dos melhores preços e parceiros locais.

Porém, atenção! O modelo de negócio do “Preço Baixo” é centrado em disponibilizar os melhores preços para artigos e produtos de necessidade básica. Para que esta intencionalidade fique clara ao usuário do aplicativo, o empreendedor além de mapear, pesquisar e disponibilizar os estabelecimentos comerciais que estão vendendo mais barato, precisa comunicar isso com muita objetividade para que não haja dúvidas a respeito por parte dos usuários e público em geral. Portanto, recomenda-se ao empreendedor que trabalhe sempre com informações comparativas que precisam ser incluídas no aplicativo. Por exemplo, caso durante um dado período de tempo, o pacote de fraldas descartáveis, ou o quilo de feijão preto, estejam com o preço mais barato na farmácia “x” e mercado “y” daquele território geográfico, o aplicativo precisa informar ao usuário que os preços destes mesmos artigos estão mais caros em outros estabelecimentos comerciais e custariam ao consumidor “z%” a mais. Ou seja, é preciso operacionalizar e comunicar um ranking comparativo de preços ao usuário do aplicativo “Preço Baixo” para que ele tenha referencial comparativo.

Na prática, este modelo de empreendimento gera receita ao empreendedor através da venda de espaço para publicidade e banners (propagandas de imagens fixas ou animadas) para o comércio varejista local. Desta maneira, a propaganda sobre o varejista que está oferecendo os melhores preços aos usuários / consumidores fica inserida e estampada no App. Esta estrutura de receita funciona a partir da força de venda do empreendedor e torna-se fundamental para a prosperidade e sustentabilidade financeira deste pequeno negócio social.

Este modelo de receita basicamente segue os mesmos princípios de precificação de publicidade na internet e na mídia impressa tradicional. Considere, por exemplo, os anúncios publicitários em revistas, a seção de classificados de um jornal diário e os banners móveis nos sites e portais da internet. O preço cobrado é sempre função do tamanho do anúncio e sua posição de como aparece para o consumidor final, seja ele o leitor ou internauta. Por exemplo, o espaço publicitário que aparece na página principal de um site ou na contra capa de uma revista, é comercializado por um preço maior do que aqueles menores e que são inseridos em locais de menor visibilidade.

No caso do “Preço Baixo”, o empreendedor precisa ser munido do “espírito e atitude de um vendedor”. Isso significa determinação e organização para fechar vendas de espaço publicitário e poder demonstrar a relação entre o custo e benefício para os anunciantes locais. Portanto, o preço a ser cobrado pelo empreendedor precisa considerar o contexto local e os custos do próprio negócio, além de outros fatores. Com base em pesquisas com pequenos empreendedores que já operacionalizam modelos de negócios semelhantes, recomenda-se ao empreendedor que cobre inicialmente um valor de R$100,00 a R$200,00 mensais ao anunciante, dependendo da posição em que a propaganda aparecerá no aplicativo. Por exemplo: um banner fixo que aparece diretamente na abertura do aplicativo, portanto com grande visibilidade, pode ser negociado pelo valor mais alto e o empreendedor também pode oferecer ao anunciante inserção desta propaganda em outros canais importantes de comunicação do “Preço Baixo”, tais como o seu site e página no Facebook.

Também faz-se necessário que o empreendedor além de operacionalizar esta força de venda, seja meticuloso e organizado para realizar as cobranças mensais, oferecendo ao varejista a possibilidade de pagar pelo seu anúncio no aplicativo com cartão de débito ou crédito e também por boleto ou depósito bancário. Lembre-se: a venda de espaço publicitário está diretamente atrelada com a receita do negócio e lucratividade. O empreendedor necessita organizar as cobranças destas vendas, pois é assim que ganhará dinheiro e deve assumir que durante a fase inicial do seu negócio precisará visitar os varejistas pessoalmente e mensalmente para recolher o pagamento e assim ganhar o seu dinheiro.

Este pequeno negócio social apresenta uma fórmula interessante ao redor de equação “ganha-ganha”: por um lado o comerciante local divulga o seu negócio amplamente e por baixo custo para fidelizar ainda mais a sua base de clientes; por outro os consumidores de classes C, D e E podem comprar artigos de necessidade básica pelo melhor preço ofertado no local sem a necessidade de empregar tempo e grandes esforços para pesquisar preços; e por fim o comércio varejista pode vender mais e os consumidores de baixa renda alocarem o seu dinheiro disponível da forma mais eficiente possível, lembrando que podem baixar o App do “Preço Baixo” gratuitamente em seus celulares.

O racional por trás de tudo é o de oferecer de maneira ágil, rápida e gratuita para que grupos de baixa renda possam diminuir o impacto negativo da inflação em seu poder aquisitivo para a compra e consumo de itens considerados essenciais no dia-a-dia. De acordo com levantamentos recentes do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), os gastos com alimentação e habitação concentram 60% dos rendimentos das pessoas de baixa renda, as quais representam 44,3% das famílias brasileiras, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Portanto, é no bolso da camada mais pobre onde ocorre o maior impacto direto da inflação e da alta de preços, dado que os salários ficam defasados e o poder aquisitivo das pessoas é pressionado e fragilizado, devido ao grande espaço que os alimentos ocupam no orçamento doméstico.

As características principais deste modelo de pequeno negócio social são as seguintes: trata-se de um modelo de empreendimento atraente devido ao baixo investimento inicial e com uma certa facilidade de entrada no mercado. Adicionalmente, o pequeno negócio social do “Preço Baixo” não requer uma grande estrutura operacional, podendo, em tese, ser lançado e gerenciado por um único empreendedor somente, sem a necessidade de arcar com custos fixos de salários e encargos sociais trabalhistas, tampouco requer um espaço físico diferenciado, como alugar um escritório, por exemplo. É possível, neste caso, lançar um negócio social de investimento inicial baixo e empreender com custos enxutos.

Além disso, também traz uma interessante possibilidade para aquele empreendedor que ainda não é totalmente versátil em tecnologias móveis e computação. Já existem grupos no mercado brasileiro, também com forte inclinação de negócios sociais, que por um custo razoável e baixo podem desenvolver e customizar o App “Preço Baixo” para o empreendedor social. Isso além de representar uma grande economia no investimento inicial do negócio, dado que a contratação de um desenvolvedor de software costuma ser bastante cara e complicada, o empreendedor não precisa necessariamente ser um craque em informática, engenheiro de sistemas, ou entender muito de programação e escrever códigos. Um bom exemplo são os serviços disponibilizados pela Fábrica de Aplicativos (http://fabricadeaplicativos.com.br) que também colabora com projetos sociais, escolas, ONGs e outras organizações sociais no Brasil e que podem ser facilmente acessados pelo empreendedor. É um cenário animador no qual o é possível começar a empreender sem a necessidade de conhecimentos técnicos substanciais e ao longo do caminho pode-se aprender e especializar cada vez mais.

O potencial de impactos socioeconômicos deste pequeno negócio social é grande e diversificado. De maneira geral espera-se alcançar maior grau de educação / conscientização financeira e controle de orçamento doméstico para grupos de baixa renda, além da possibilidade de poupança de dinheiro, ao facilitar acesso aos melhores preços do comércio varejista local. Vale lembrar que consumo sustentável é um dos grandes pilares estratégicos dos negócios sociais brasileiros.

Adicionalmente, o “Preço Baixo” oferece possibilidades de participação comunitária e envolvimento de atores locais, além do comércio varejista, como, por exemplo: associações de moradores, ONGs, escolas, equipamentos de saúde, rádios comunitárias, mídia local etc. Em paralelo, este empreendimento também contribui com a inclusão digital brasileira na medida em que usuários de baixa renda passam a utilizar tecnologias móveis para acessarem oportunidades econômicas além das tradicionais oferecidas por aparelhos móveis como comunicação instantânea, lazer e divertimento.

Por outro lado, este pequeno negócio social pode ser um precursor e pioneiro em comunidades de baixa renda apontando que é possível empreender no setor de tecnologias móveis de maneira financeiramente sustentável e provocando impacto social. Isso possibilita com que outros potenciais empreendedores se espelhem, inspirem e sejam atraídos para este setor, contribuindo assim para o fortalecimento de um ambiente propício ao lançamento de pequenos empreendimentos com base tecnológica em comunidades tradicionalmente afastadas deste nicho de negócios. Ou seja, possibilita com que pessoas que antes não tinham acesso à tecnologia possam ter a chance de desenvolver projetos e empreender através dela.

O potencial de replicabilidade deste modelo de negócio para outras localidades brasileiras também está presente e pode ser associado a iniciativas de educação, desenvolvimento de habilidades e transferência de conhecimento especializado para jovens com potencial de empreender, através de parcerias com organizações sociais locais para a realização de cursos e oficinas sobre tecnologias móveis e aplicativos, possibilitando assim a multiplicação e difusão de conhecimento.

Em resumo, o “Preço Baixo” contribui para que a criação de uma nova geração de empreendedores sociais, ligados à tecnologia móvel, que assim como os pioneiros da internet enxergam a chance de lucrar, porém também proporcionando acesso a oportunidades antes negadas para grupos de baixa renda e melhores oportunidades de inclusão socioeconômica.